A nova rede de transporte público do Tâmega e Sousa, designada Linhas, entrou em funcionamento à meia-noite de quarta-feira, marcando o início de um novo modelo de mobilidade na região. O sistema envolve cerca de 250 autocarros e representa um investimento anual de 15,5 milhões de euros, com o objetivo de tornar os transportes mais eficientes, acessíveis e ajustados às necessidades da população.
A iniciativa é promovida pela Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa, em articulação com os municípios do território, e destina-se a quem vive, estuda ou trabalha na região. O projeto pretende facilitar as deslocações entre concelhos, dentro de cada município e também as ligações à Área Metropolitana do Porto.
Um dos pilares da nova rede é o novo modelo tarifário, assente no cartão Três Rios, que permite aos utilizadores viajar em toda a região com um único cartão, válido para diferentes modalidades de transporte. A tecnologia está preparada para integrar futuramente o 1Bilhete.pt, projeto nacional que prevê a criação de um bilhete único a nível nacional.
O primeiro secretário da CIM do Tâmega e Sousa, Telmo Pinto, em declarações ao Novum Canal, reconheceu que o arranque de uma operação desta dimensão traz desafios, mas sublinha a ambição e o caráter inovador do projeto.
“Quando iniciamos uma operação com esta complexidade e com esta ambição, nem tudo vai correr bem, mas estamos cá para, ao longo do processo, aperfeiçoar e ir cada vez mais ao encontro do interesse dos utilizadores”, afirmou.
Segundo o responsável, a nova rede permitirá “que as pessoas se possam deslocar de uma forma mais simples entre municípios e dentro do próprio município”, mantendo passes urbanos, municipais, intermunicipais e inter-regionais, com ligação aos transportes metropolitanos do Porto, como o metro, a STCP e o comboio.
Telmo Pinto destacou ainda o caráter pioneiro da iniciativa.
“Estamos a experienciar algo único ainda no país. Quando somos inovadores, reconhecemos que os problemas podem ser maiores, mas a nossa predisposição é resolvê-los à medida que vão surgindo”, salientou.
Numa fase inicial, a procura deverá ser mais reduzida, coincidindo com o período de interrupção letiva, mas a CIM acredita que o sistema irá crescer e melhorar progressivamente.