O Emergente Centro Cultural de Marco de Canaveses recebe, até sábado, o Congresso Internacional “Eça com Norte”, um encontro que reúne investigadores, escritores, estudantes e público em geral para revisitar a obra de Eça de Queiroz e refletir sobre a sua pertinência no século XXI.
A iniciativa, que articula academia, cultura e comunidade, propõe-se analisar temas como identidade, modernismo, crítica social e ironia, elementos que continuam a marcar a obra queirosiana e a sua leitura contemporânea.
Na sessão de abertura, o vice-presidente da Câmara Municipal, Nuno Pinto, destacou o papel do evento na dinâmica cultural do concelho.
“É uma honra para todos nós acolher este evento, de grande importância para a cultura portuguesa”, afirmou.
Nuno Pinto sublinhou o esforço do município em consolidar o Marco de Canaveses como “terra de cultura, de criação artística e literária, onde a tradição convive com a inovação e onde o património cultural se transforma em fonte permanente de inspiração”.
Também Anabela Cardoso, representante da Fundação Eça de Queiroz, reforçou o significado da iniciativa para a região do Tâmega e Sousa.
“É com muito gosto que vemos esta iniciativa surgir aqui, porque é também uma forma de o Eça se mostrar presente neste território, mostrando que temos ainda muito para dar no âmbito da literatura e da figura queirosiana”.
A sessão contou ainda com a intervenção da ensaísta e ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, que centrou a sua comunicação na relação entre escrita e revolução na obra queirosiana.
“O que me traz aqui é procurar esclarecer como a revolução escrita e a escrita da revolução vão sendo construídas em Eça de Queiroz de modo intimamente ligado”, explicou, defendendo que o percurso estético do autor “constitui uma revolução”.
Pires de Lima recordou ainda o ambiente ideológico da juventude de Eça, influenciado pelas ideias reformistas que chegavam da Europa e pela convivência com figuras como Antero de Quental, cuja liderança intelectual marcou o período coimbrão.
O programa do congresso estende-se por vários dias e inclui conferências, tertúlias, sessões de cinema, leituras encenadas e momentos artísticos, num formato aberto ao público e especialmente pensado para envolver escolas e amantes da literatura.