A Unidade Móvel de Saúde de Baião passou a disponibilizar cuidados de saúde oral à população do concelho, numa medida considerada pioneira a nível nacional no contexto do Serviço Nacional de Saúde (SNS). A iniciativa resulta de uma parceria entre o Município de Baião e a Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa e pretende reforçar a resposta de proximidade, sobretudo junto de utentes com maiores dificuldades de acesso aos cuidados de saúde.
A nova valência foi apresentada, esta sexta-feira, numa sessão que contou com a presença da secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, que destacou o papel do projeto na promoção da equidade no acesso aos serviços.
Segundo a governante, “o Serviço Nacional de Saúde existe para servir as pessoas e cuidar das pessoas. Este projeto garante aquilo que o SNS tem de promover: a equidade, assegurando que quem vive mais distante ou tem mais dificuldades tem a mesma garantia de acesso aos cuidados de saúde”.
Para Ana Povo, trata-se de um modelo que demonstra a importância da articulação entre os serviços de saúde e o poder local para “levar a saúde a casa das pessoas”, acrescentando que a experiência pode servir de exemplo para outras unidades locais de saúde em territórios mais dispersos.
A presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, destacou o caráter inovador da iniciativa e a importância de garantir que ninguém fica excluído do acesso aos cuidados. A autarca sublinhou que, sempre que as pessoas têm dificuldade em chegar aos serviços de saúde, deve ser o próprio sistema a aproximar-se da população.
“Estamos a garantir que todos aqueles que, por qualquer motivo, seja por dificuldades de mobilidade ou financeiras, possam ter acesso à saúde”, afirmou.
Também a coordenadora da Unidade Local de Saúde do Baixo Tâmega, Cristina Moniz, classificou o projeto como um exemplo de inovação e de trabalho em equipa, salientando que nasceu da persistência dos profissionais no terreno.
“Baião precisa de proximidade. Temos uma população muito dispersa geograficamente, envelhecida e com dificuldades de acesso à unidade local de saúde. Por isso, esta resposta faz todo o sentido”, afirmou.
A responsável destacou ainda que a saúde oral continua a ser “um parente pobre” dos cuidados de saúde em Portugal, sobretudo entre a população mais idosa, defendendo que iniciativas como esta podem contribuir para melhorar significativamente os indicadores nesta área.
A enfermeira Anabela Pereira, responsável pela Unidade Móvel de Saúde, descreveu o arranque da nova valência como a concretização de um objetivo antigo da equipa.
“Foi um sonho concretizado. Foram dois anos de luta até conseguirmos demonstrar a importância deste investimento, mas nunca desistimos. Nós vamos às casas das pessoas, às escolas e percebemos no terreno aquilo que realmente faz falta”, explicou.
No terreno, o médico dentista Pedro Moreira garante que o serviço já começou a ter uma receção positiva por parte da população.

“Tivemos logo um domicílio esta manhã e correu muito bem. As pessoas receberam-nos muito bem e esperamos dar a melhor resposta possível a este novo projeto”, referiu.
Segundo o profissional, os utentes são referenciados pelo centro de saúde e a resposta destina-se sobretudo a pessoas com mobilidade reduzida, como doentes acamados ou que utilizam cadeira de rodas. Sempre que possível, os atendimentos são realizados na própria unidade móvel, embora a equipa também possa deslocar-se às habitações quando não existe qualquer possibilidade de deslocação.
Além de tratamentos, o serviço permitirá também realizar rastreios e identificar situações que necessitem de encaminhamento para outras consultas ou unidades de saúde.

