BAIÃO: Assinalado o 99º aniversário do nascimento de Orlando de Carvalho com debate sobre direitos humanos e reforço do SEDOC

A Câmara Municipal de Baião celebrou, na passada segunda-feira, em Santa Marinha do Zêzere, o 99.º aniversário do nascimento do jurista Orlando de Carvalho, num programa que juntou dezenas de participantes e que destacou a importância da memória, da cidadania e do papel da Sala de Estudos e Documentação (SEDOC) que preserva o espólio do académico.

A presidente da autarquia, Ana Raquel Azevedo, reafirmou o compromisso do executivo com o SEDOC, defendendo que o espaço “não pode ser apenas um arquivo”, mas sim “um lugar de compromisso, de memória e de aprendizagem”.

A autarca anunciou ainda que o município irá preparar, com o apoio de jovens baionenses ligados ao Direito, o centenário de Orlando de Carvalho, a celebrar em 2026, que classificou como “uma efeméride única e irrepetível”.

A sessão integrou uma conferência dedicada aos direitos humanos, com a participação de João Soares, antigo presidente da Câmara de Lisboa e ex-ministro da Cultura, que recordou a influência do jurista na sua formação cívica. Alertando para os desafios atuais da imigração, defendeu que Portugal “não deve ceder a discursos de rejeição ou intolerância”, sublinhou que a criminalidade não está associada aos fluxos migratórios e lembrou o contributo económico dos trabalhadores estrangeiros.

“Podemos ser, no mundo, um farol de boa vontade”, afirmou.

O presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha do Zêzere, Manuel Pereira, destacou o envolvimento da comunidade na preservação da memória do académico.

Já Teixeira de Sousa, responsável pelo SEDOC, lembrou o compromisso de Orlando de Carvalho com as liberdades fundamentais e sublinhou o papel determinante de Helena Carvalho, responsável pela doação do espólio.

O diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Pedro Costa Gonçalves, enalteceu a dimensão académica do homenageado, classificando-o como “um professor singular” que marcou sucessivas gerações.

“Se a Faculdade fosse um país, o país do Orlando Carvalho era a Faculdade de Direito de Coimbra”, afirmou.

O programa encerrou com uma homenagem no espaço expositivo do SEDOC e com um concerto na Igreja de Santa Marinha do Zêzere, onde o órgão de tubos de 1793 acompanhou a soprano Mónica Lacerda, Tadeu Filipe e David Rodrigues, num momento musical que reforçou a ligação cultural ao território.

Partilhar