O rio Tâmega entrou nas caves de alguns edifícios situados nas traseiras da Rua 31 de Janeiro, na margem esquerda, ao final da manhã desta quinta-feira, em Amarante. A situação levou a Proteção Civil Municipal a cortar, de forma preventiva, os acessos a algumas ruas da zona ribeirinha e a dois parques de estacionamento.
Apesar do cenário, o caudal do rio começou entretanto a baixar, o que é visto como uma boa notícia pelas autoridades locais. Em declarações à Marcoense FM, o vereador da Proteção Civil da Câmara Municipal de Amarante, Ricardo Vieira, explicou que o nível do rio já desceu abaixo da cota dos 5,50 metros.
“É uma situação positiva, porque as lojas que foram afetadas foram poucas e, na maioria dos casos, já não tinham bens no interior. Alguns comerciantes ainda conseguiram retirar materiais durante a manhã, pelo que não há prejuízos materiais a registar”, afirmou o autarca.
Segundo Ricardo Vieira, os cortes de trânsito e o encerramento dos parques de estacionamento da zona ribeirinha, nomeadamente o Parque do Ribeirinho e o da Rua Alexandre Herculano, tiveram um carácter essencialmente preventivo.
“O objetivo foi garantir tranquilidade e segurança, sobretudo para permitir que os comerciantes pudessem retirar alguns bens, se necessário”, referiu.
O vereador lamentou ainda a falta de cumprimento da sinalização colocada no local, registando-se alguns acessos indevidos às zonas condicionadas. Para minimizar eventuais danos, o município disponibilizou contentores para o acondicionamento temporário de bens dos comerciantes afetados.
Apesar de reconhecer que episódios de cheias não são uma novidade em Amarante, Ricardo Vieira sublinhou que a cidade tem beneficiado de uma gestão criteriosa dos fluxos das barragens.
“Não controlamos a abertura das barragens, mas a gestão tem sido feita de forma a poupar a baixa da cidade. O presidente da Câmara tem mantido contacto diário com a Agência Portuguesa do Ambiente para sensibilizar para essa necessidade”, explicou.
O responsável destacou ainda que, apesar de janeiro ser o mês mais chuvoso desde que há registos, o rio apenas galgou nesta quinta-feira, o que considera um sinal positivo. Ainda assim, as previsões meteorológicas apontam para a continuidade da chuva até, pelo menos, domingo, com novos picos de precipitação esperados, pelo que a Proteção Civil mantém o estado de alerta.
Além da zona ribeirinha, registaram-se algumas derrocadas, quedas de muros e aluimentos de estradas em vários pontos do concelho, situações que têm sido resolvidas maioritariamente com meios das juntas de freguesia.
“As juntas têm sido exemplares e um parceiro fundamental neste processo, sem registo de danos físicos em pessoas”, sublinhou Ricardo Vieira.
A Proteção Civil Municipal garante que continuará a acompanhar a situação no terreno, apelando à população para que mantenha a calma e respeite as indicações das autoridades enquanto persistirem as condições meteorológicas adversas.

