FUTEBOL: Mica repetiu a festa no Jamor e somou segundo título no Campeonato de Portugal. “É um orgulho” [C/AUDIO]

Ricardo Ferreira, conhecido no mundo do futebol como Mica, sagrou-se bicampeão do Campeonato de Portugal. O médio, de 35 anos, venceu o título pela segunda vez na carreira, no passado dia 10 de junho.

No Estádio Nacional do Jamor ajudou o Leça FC a bater o Vitória de Sernache, nas grandes penalidades, após empate a uma bola ao fim dos 90 minutos e do prolongamento.

A primeira conquista tinha sido em 2023/24, ao serviço do Amarante FC.

“Foi um orgulho voltar ao Jamor. Se me dissessem que, passados dois anos, voltava lá, se calhar não acreditava. Mas foi muito especial voltar a um estádio tão emblemático e que simboliza tanto para o nosso país”, resume Mica, sobre o regresso ao recinto onde já tinha festejado o primeiro título.

Duas conquistas, duas histórias diferentes

Questionado sobre o que distingue as duas vitórias, Mica reconhece um percurso distinto em cada uma.

“Não posso negar que, talvez, a primeira fosse mais improvável de acontecer. Se calhar, o Amarante não era tão candidato como o Leça este ano, mas foram as duas especiais”, afirma, antes de detalhar o caminho percorrido pela equipa nesta temporada.

“A do Leça, no início, também era pouco provável, mas depois assumimos que éramos uns sérios candidatos a ganhar, porque tínhamos belíssimos jogadores e um clube a trabalhar a um nível muito alto”, frisou.

Mica conquistou o Campeonato de Portugal, em 2023/2024, ao serviço do Amarante FC

Essa trajetória no Leça FC não foi linear: a equipa somou apenas uma vitória nos primeiros seis jogos da temporada. Mica associa a recuperação à chegada do técnico Mika, que substituiu Carlos Pinto ainda numa fase inicial da temporada.

“Acho que o Mika conseguiu potenciar, tirar o melhor de cada jogador individualmente. Acho que esse foi o grande segredo”, explica, sem deixar de destacar o trabalho coletivo.

“A estrutura, o presidente, todo o staff, teve também muito mérito. Mas acho que o Mika foi um elemento que conseguiu tirar algo de alguns jogadores que estavam mais apagados, e isso refletiu-se no resultado final do clube”, acrescentou.

A emoção de um palco “que é quase uma final da Taça de Portugal”

Voltar ao Jamor, dois anos depois, reativou em Mica a memória da primeira final que disputou no recinto, frente ao Setúbal.

“Na altura foi muito especial. Tinha muita gente, quase dez mil pessoas nas bancadas. E agora, parece que foi a primeira vez. Voltou a ser muito especial, voltar a entrar no Jamor, ver aquela envolvência toda. Não te posso negar que é quase uma final da Taça de Portugal. É muito marcante”, confessou.

Antes do jogo, o médio, já com essa experiência, partilhou-a com os colegas de equipa mais jovens.

“A maior dica aos meus companheiros foi para desfrutarem muito daquele momento, que podia ser um momento que nunca mais voltaria a acontecer. O que eu lhes pedi, foi para aproveitarem ao máximo, para se divertirem, para se envolverem com os adeptos, com o ambiente, e para fazerem daquele dia um dia de festa, um dia para contar mais tarde aos netos e aos filhos”, revelou.

Um jogador de intensidade e com cinco subidas de divisão

Na carreira, Mica conta com cinco subidas de divisão: Leça FC, Amarante FC, Marco 09, AC Vila Meã e FC Felgueiras.

“Cinco subidas é muita coisa, ainda por cima sendo três delas à Liga 3. Uma subida foi na antiga Terceira Divisão, outra com o Vila Meã ao Campeonato de Portugal. Estou orgulhoso. Podia ser diferente, podia ser melhor, mas também podia ser muito pior. Estou mesmo muito orgulhoso da carreira que estou a fazer, e o objetivo é continuar”, diz.

O bicampeonato surge, para o médio, como reflexo de um trabalho pessoal que foi construindo ao longo dos anos. “A partir de uma certa idade, fui trabalhando cada vez mais e a acreditar que ainda podia fazer coisas bonitas. Tenho tido também a felicidade de estar em projetos bons e tenho conciliado o útil ao agradável”.

Sobre o que o define em campo, aponta a intensidade como traço principal: “Acho que cheguei a um ponto na minha carreira em que comecei a perceber os meus pontos fortes e os menos fortes, e comecei a aproveitar aquilo que sei que faço melhor. A minha intensidade, a minha entrega ao jogo, a minha entrega em momentos defensivos, a reação à perda. Vejo-me como um jogador intenso, acessível, sempre com uma atitude positiva”.

Uma carreira com a marca de vários treinadores

Ao longo do percurso, Mica destaca várias técnicos que considera determinantes, a começar pela passagem no AC Vila Meã.

“Não posso negar que que no Vila Meã tive uma época individualmente muito boa com o Pedro Machado, que agora integra a equipa técnica do José Mourinho. Com ele dei um salto qualitativo como jogador. Também pela minha maturidade, mas não posso esconder que ele fez parte dessa minha evolução”, apontou.

Recorda ainda as passagens pelo Amarante FC e pelo Marco 09. “Depois apanhei um Renato Coimbra, no Amarante, que vai ser sempre alguém muito especial, por termos uma personalidade idêntica e por ter feito, com ele, tantos jogos ao meu melhor nível. Depois, o Pedro Barroso, no Marco. Gostei muito de trabalhar com ele, fizemos coisas bonitas”.

Mica ajudou o Marco 09 a subir à Liga 3, em 2024/2025

Sobre a atual experiência no Leça FC, sob o comando do técnico Mika, reserva também elogios. “Acho que sou felizardo por ter a sorte de estar com bons treinadores, cada um a trabalhar de forma diferente, mas todos muito especiais. Bebemos sempre muito daquilo que nos ensinam, porque nunca é tarde para aprender”.

Futuro: “Já tenho clube, mas não vou revelar”

Quanto ao que vem a seguir, Mica está de saída do Leça FC, sem revelar ainda o novo destino. “Estou de saída do Leça. Não queria falar já sobre isso, mas já me comprometi com um clube e em breve irá ser tornado público”.

Sobre o futuro mais distante, não afasta seguir ligado ao futebol fora dos relvados, embora descarte o cargo de treinador principal. “Gostava de continuar no futebol. Confesso que não tenho o objetivo de ser treinador principal, mas gostava muito de fazer parte de uma equipa técnica, ligada ao balneário, ao treino, se calhar mais próxima dos jogadores”.

Os estudos também são prioridade: “Penso agora tirar um Mestrado, continuar a estudar, para quando terminar a minha carreira ter caminhos abertos para saber o que é melhor para mim”, acrescentou.

AC Vila Meã: “clube do meu coração”
Mica representou o AC Vila Meã durante 13 épocas

Natural de Vila Meã, Mica representou o clube da terra durante 13 temporadas, dez delas consecutivas, antes de seguir carreira por Amarante FC, Marco 09 e Leça FC.

A ligação permanece intacta. “É o clube da minha terra, é o clube dos meus amigos, é o clube do meu coração. Eu, muito miúdo, ia ver o Vila Meã ao campo antigo, ao pelado. Nunca joguei no Vila Meã na formação, mas é um clube pelo qual tenho imenso carinho, e um dia, se eles quiserem, talvez eu volte”.

Por agora, esse regresso não está em equação. “Não vai acontecer já, são decisões pessoais. Ainda não foi o momento, mas é um clube especial”, concluiu.

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