O AC Vila Meã já deu o pontapé de saída na preparação para a época 2026/27, na qual vai disputar a Série A do Campeonato de Portugal. Depois de ter terminado a temporada passada no sétimo lugar da Série B, o clube amarantino apresenta-se de cara lavada, com uma nova equipa técnica e um plantel reconstruído.
Até ao momento, os rubro-negros garantiram 13 reforços. Chegaram os guarda-redes Alex Reis (ex-Vila Caiz), José Monteiro (ex-Vila Real) e Eduardo Saavedra (ex-Pasteleira), os defesas Pedro Cunha (ex-Aliança de Gandra), Afonso Ferreira (ex-Gouveia), Tiago Costa (ex-Varzim) e João Pistelli (ex-Vitória Sernache), os médios Rafael Barreiro (ex-Ermesinde), Didi (ex-Celoricense) e Luís Salgado (ex-União de Lamas), além dos avançados Ruben Pereira (ex-Resende), Ruben Alves (ex-Vilaverdense) e Muacir (ex-Beira-Mar).
Da época anterior transitam apenas Diogo Martins, Ricardo Costa, João Rafael, César Quiñones, Miguel Morais e Rui Mendonça.

Ao comando da equipa está Rafael Sousa. O jovem técnico, de apenas 30 anos, que na reta final da época passada assegurou a permanência do Marco 09 na Liga 3, reconhece que o trabalho está apenas a começar.
“É um plantel que se está a conhecer, nós a conhecer os jogadores e os jogadores novos a perceberem o que é o Vila Meã. Estamos contentes com aquilo que temos feito até agora”, afirmou, lembrando que os níveis físicos ainda são distintos por se tratar do arranque da pré-temporada.
“Vamos fazer o nosso trabalho pouco a pouco para daqui a quatro ou cinco semanas estarmos preparados para o primeiro jogo”, afirmou.
A construção do plantel representou um desafio inédito para Rafael Sousa, que assume pela primeira vez uma equipa desde o início da época.
“Foi um processo desafiante. Tivemos de analisar muitos jogadores e todas as decisões foram tomadas a pensar no rendimento que queremos durante o campeonato. Conseguimos trazer a maioria dos jogadores que pretendíamos. Houve outros que escolheram propostas diferentes, mas isso faz parte do futebol”, revelou.

Apesar das 13 contratações já oficializadas, o treinador garante que o grupo ainda não está fechado.
“Temos jovens à experiência e continuamos à procura de jogadores que possam acrescentar qualidade. O plantel ainda não está concluído”, reconheceu.
O diretor desportivo João Paulo Carvalho confirma que faltam “três ou quatro jogadores” para completar o grupo, apontando para um plantel de 22 ou 23 elementos, deixando ainda duas vagas em aberto para o mercado de inverno, caso seja necessário reforçar a equipa.
Segundo o responsável, a profunda remodelação do grupo foi consequência direta da valorização dos jogadores na época passada.
“Queríamos manter a maior parte do plantel, mas muitos atletas receberam propostas que entenderam aceitar. Perdemos essa base e tivemos de reconstruir praticamente a equipa, mas estamos a trabalhar para formar um conjunto muito competitivo”, disse.
João Paulo Carvalho admite que o processo de recrutamento tem sido exigente.
“É um trabalho muito difícil. O clube é financeiramente estável, mas não consegue competir com alguns valores que outros oferecem. Temos de analisar bem os jogadores e encontrar quem encaixe no nosso projeto”, explicou.
A escolha de Rafael Sousa para suceder a Pedro Campos surgiu naturalmente: “É um treinador muito ambicioso. O trabalho que realizou no Marco 09 demonstrou as suas capacidades e achámos que era o perfil ideal para dar continuidade ao projeto do Vila Meã”.

Também o presidente Ilídio Silva explica que a forte renovação do plantel não resultou de uma opção estratégica.
“Queríamos manter uma base de 13 ou 14 jogadores e acabámos por conseguir apenas cinco. Muitos foram cobiçados depois da excelente época que fizeram e seguiram para clubes com maior capacidade financeira. Sabemos perfeitamente quais são os nossos limites e não podemos entrar em loucuras”, frisou.
A aposta num treinador jovem segue a linha adotada pelo clube nas últimas temporadas.
“O Rafael Sousa era uma aposta muito forte para nós. O trabalho que fez ao salvar o Marco 09 chamou-nos a atenção e, quando soubemos que não continuaria lá, avançámos rapidamente. Tenho total confiança nele e acredito que pode seguir, no futuro, para patamares superiores”, afirmou Ilídio Silva.
A mudança para a Série A representa um novo desafio, sobretudo pelas deslocações mais longas. Rafael Sousa antevê uma competição exigente.
“Vai ser uma série muito competitiva. Vamos encontrar equipas B como o Braga e o Chaves, candidatos fortes, além de deslocações longas a Bragança, Vinhais ou Montalegre. Isso pode influenciar o rendimento, mas estamos preparados para trabalhar”, antecipa.
A mesma preocupação é partilhada por João Paulo Carvalho, que considera que a principal dificuldade estará na logística, embora mantenha confiança na capacidade da equipa. “Vai ser um campeonato equilibrado. O Braga B poderá ter outros argumentos, mas acreditamos que podemos fazer uma boa época”.
Também Ilídio Silva admite que as viagens representam um desgaste adicional, mas vê com bons olhos o novo modelo competitiv: “O facto de descerem diretamente apenas duas equipas acaba por beneficiar os clubes que lutam pela manutenção. Sabemos que será uma série muito forte, mas vamos lutar jogo a jogo”.

Apesar das mudanças profundas, a mensagem transmitida pelos responsáveis é idêntica: assegurar uma época tranquila e consolidar o crescimento do clube.
“Queremos fazer um campeonato tranquilo, competir em todos os jogos e continuar a valorizar jogadores”, resume Rafael Sousa.
O presidente aponta um objetivo ligeiramente mais ambicioso: “Queremos melhorar a classificação da época passada e, se possível, voltar a fazer uma boa caminhada na Taça de Portugal”.
Antes de terminar, Ilídio Silva deixou um apelo aos adeptos. “Sentimos muito o apoio deles na época passada, até nos jogos fora. Espero que continuem connosco porque são um empurrão muito importante para alcançarmos os nossos objetivos”, concluiu.
