José Oliveira vai cumprir a quarta época consecutiva no Aparecida FC e, numa entrevista à MARCOENSE FM, fala da estabilidade do projeto, da reformulação do plantel, dos desafios da Liga Pro AF Porto e deixa um apelo aos adeptos.
José Oliveira vai continuar a orientar o Aparecida FC em 2026/27. O treinador, de 48 anos, prepara-se para cumprir a quarta época consecutiva ao serviço do emblema do concelho de Lousada, depois de um percurso marcado por duas subidas de divisão, quatro títulos — campeão da Divisão de Honra, campeão da Liga Pro, vencedor da Supertaça e da Taça da Associação de Futebol do Porto (AF Porto) — e pela inédita qualificação do clube para os campeonatos nacionais.
Apesar da descida ao futebol distrital, depois da primeira participação da história do Aparecida FC no Campeonato de Portugal, a direção voltou a apostar na continuidade do técnico.
Em entrevista à MARCOENSE FM, José Oliveira explica as razões que o levam a permanecer, traça os objetivos para a nova época e antevê um dos campeonatos mais equilibrados dos últimos anos.
“A estabilidade dos projetos depende das pessoas”
José Oliveira acredita que a longevidade dos projetos resulta sobretudo das relações humanas e considera que encontrou no Aparecida FC um ambiente raro no futebol.
“Normalmente diz-se que já não há projetos duradouros, mas eu acho que os projetos dependem das pessoas. Estive cinco anos no Marco, quatro épocas no Vila Caiz e agora vou para a quarta época no Aparecida. Isso acontece porque me tenho cruzado com pessoas extraordinárias. Estou muito feliz aqui”, lembrou.
O treinador fez questão de destacar o presidente Cristóvão Cunha e toda a estrutura diretiva, sublinhando o trabalho desenvolvido longe dos holofotes.
“O presidente Cristóvão Cunha foi das melhores pessoas que conheci no futebol. Depois há pessoas como o Mário Cunha, que faz um trabalho enorme sem procurar protagonismo, o Daniel Santos e tantos outros. São eles que ajudam a criar esta estabilidade”, diz.

José Oliveira destacou também o vínculo com a sua equipa técnica, que o acompanha há vários anos: o adjunto Rui Amaral, o treinador de guarda-redes Rui Teixeira e o fisioterapeuta José Sousa. “Procuro muito ter estabilidade junto de pessoas boas e estou rodeado de gente boa”, assinalou.
“Não temos medo, mas vai ser um campeonato muito difícil”
O facto de o Aparecida FC regressar à Liga Pro da AF Porto depois da descida faz com que seja apontado por muitos como candidato à subida. José Oliveira não rejeita esse estatuto, mas pede realismo.
“É óbvio que essa pergunta vai surgir, porque é um clube que desceu dos nacionais, mas também chegou lá pela primeira vez e única vez na história”, afirmou, recordando que foram necessários 94 anos até essa presença inédita nos campeonatos nacionais.
“Não temos medo da responsabilidade, mas também sabemos que o campeonato vai ser extremamente difícil. A equipa mais regular será aquela que ficará mais perto do primeiro lugar”.
Mais do que pensar apenas na classificação, José Oliveira pretende voltar a apresentar uma equipa identificada com uma ideia de jogo.
“Queremos voltar a jogar bom futebol e fazer com que os nossos adeptos passem toda a semana à espera de chegar o domingo para ver o Aparecida jogar”, adiantou.
Renovação profunda do plantel
A nova temporada trará muitas novidades no balneário. Apenas sete jogadores transitam da época passada, estando prevista a entrada entre 16 a 17 reforços.

“Vamos manter apenas sete jogadores. Os restantes serão caras novas porque muitos quiseram abraçar outros projetos”, revelou José Oliveira.
Ainda assim, garante que o principal critério passou pela vontade de representar o clube: “Queremos jogadores que escolham o Aparecida FC porque acreditam no projeto e porque querem estar aqui. Não procuramos quem veja o clube apenas como uma passagem”.
José Oliveira reconhece que a exigência da equipa técnica nem sempre é fácil de aceitar, mas considera-a indispensável: “Somos uma equipa técnica muito exigente. Definimos objetivos todos os dias e só com disciplina, regras e compromisso conseguimos crescer”.
“Vai ser provavelmente a Liga Pro mais equilibrada de sempre”
O treinador antevê uma competição muito disputada e recusa apontar um único favorito à subida. “Vejo provavelmente o campeonato mais equilibrado dos últimos anos. Há muitas equipas fortes e qualquer uma pode vencer qualquer adversário”, antecipa.
José Oliveira destaca clubes como Ermesinde, Nogueirense, Aliança de Gandra, SC Rio Tinto, Coimbrões, Canidelo, Gondomar, Aliados de Lordelo, Pedras Rubras, Vila Caiz, Lousada, Freamunde, Baião, Padroense, Lavrense e São Martinho, que apresentam estruturas sólidas e equipas técnicas competentes.
“As pessoas podem dizer que as 18 equipas são candidatas e, nesta altura, concordo. Quando os campeonatos são tão equilibrados, quem conseguir manter regularidade terá vantagem”, afirma.
José Oliveira rejeita ainda a ideia de que os clubes despromovidos – Aparecida FC e São Martinho – partam automaticamente em vantagem.
“A história mostra precisamente o contrário. As equipas que descem nem sempre conseguem regressar logo aos nacionais. Nós conhecemos essa realidade e estamos preparados para enfrentá-la”, garantiu.
“Os adeptos têm de ser os verdadeiros campeões”

José Oliveira deixou ainda uma mensagem especial aos adeptos do Aparecida FC e acredita que terão um papel decisivo na nova caminhada.
“Quero lançar um desafio aos nossos adeptos. Este ano têm de estar ainda mais presentes. Quero ver a bancada cheia, quero vê-los vestidos de verde e branco e a puxar pela equipa do primeiro ao último minuto”, apelou.
Na sua opinião, o crescimento do clube também passa pela força da massa associativa: “Eles já demonstraram aquilo de que são capazes, mas acredito que podem fazer ainda mais. Gostava que fossem os verdadeiros campeões da época 2026/27”, concluiu.

