O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, participou esta quarta-feira, em Castelo de Paiva, nas cerimónias que assinalam os 25 anos da tragédia de Entre-os-Rios, que vitimou 59 pessoas, assegurando que o Governo está a trabalhar para que não se repita algo semelhante.
Na homenagem às vítimas, o governante considerou ainda que o Estado “falhou duplamente” em 2001: primeiro, na monitorização da ponte, e depois, no cumprimento dos compromissos assumidos com a população local em matéria de novas infraestruturas.
“Não pode haver infraestruturas em risco”, afirmou, sublinhando que o Governo está a trabalhar para que uma tragédia semelhante “não se repita”.
Miguel Pinto Luz evocou o antigo ministro Jorge Coelho, que tutelava a pasta das Infraestruturas à data da queda da ponte e que assumiu responsabilidades políticas pelo sucedido, recordando a frase que marcou esse momento: “A culpa não pode morrer solteira”, defendendo que o essencial, agora, é garantir que ninguém volte a ter de assumir responsabilidades por falhas desta natureza.

O governante anunciou que o Executivo lançou ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) o desafio de apresentar, no prazo de um ano, um relatório exaustivo sobre o estado das pontes, taludes, muros de contenção e outras infraestruturas críticas em Portugal.
Apesar de assegurar que as Infraestruturas de Portugal e os concessionários das autoestradas realizam monitorização permanente, Miguel Pinto Luz defendeu a importância de uma avaliação independente, conduzida por uma entidade “credível”, para reforçar a confiança pública e prevenir riscos.
A par da evocação da tragédia, o ministro abordou reivindicações antigas da população de Castelo de Paiva, nomeadamente a construção do IC35 e da variante de ligação à A32.
Segundo o governante, o concurso para o IC35 será lançado ainda esta quarta-feira, enquanto a variante à A32 já se encontra adjudicada, estando prevista para junho a consignação da obra.
“São duas obras prometidas há 25 anos”, reconheceu, admitindo que o atraso contribuiu para o afastamento de muitos cidadãos em relação à política.
“Temos de compreender muitos portugueses que se divorciam da política, porque o Estado tem de se habituar a ser uma pessoa de bem e a cumprir a palavra dada”, afirmou.
Confrontado com o ceticismo de quem aguarda há um quarto de século pelo cumprimento das promessas, Miguel Pinto Luz admitiu que apenas o arranque efetivo das obras poderá restabelecer a confiança.
“Eu próprio quero ver as máquinas no terreno e quero ver a obra a acontecer”, declarou.
O ministro garantiu que não descansará enquanto os projetos não estiverem em execução.
