A Associação de Combatentes da Guerra do Ultramar do Marco de Canaveses apresenta, na próxima sexta-feira, 24 de abril, o livro “Marco de Canaveses e o Ultramar”, numa sessão marcada para as 16:30, no Emergente Centro Cultural. A iniciativa integra o programa das comemorações do 25 de Abril promovidas pelo município.
A obra reúne testemunhos de 15 ex-combatentes naturais do concelho que foram mobilizados para o Ultramar durante o período da guerra colonial. Através destes relatos, o livro procura resgatar memórias individuais e dar visibilidade à experiência dos soldados, muitas vezes ausente do discurso histórico mais dominante.
Segundo António Ferreira, presidente da Associação de Combatentes da Guerra do Ultramar do Marco, o projeto nasceu com o objetivo de “dar voz àqueles que à data do conflito não tinham voz”.
“Os soldados tinham pouco conhecimento da realidade para onde iam ser enviados. Hoje, já com uma idade respeitável, é importante que deixem o seu testemunho”, afirmou.
Para a concretização da obra, foi feita uma contextualização histórica dos diferentes cenários de conflito nas antigas colónias, complementada com os depoimentos recolhidos.
“Poderiam ser 20 ou 30 relatos, mas, por uma questão de organização, optámos por 15. São histórias distintas, marcantes, de homens que, sendo ainda jovens, foram colocados numa realidade completamente desconhecida”, explicou.
Os testemunhos abrangem diferentes funções desempenhadas no terreno, desde combatentes na linha da frente a militares destacados para áreas como as transmissões.
“Cada um deles, com um distanciamento de cerca de 50 anos, partilhou como viveu a guerra, como se sentiu e de que forma essa experiência marcou a sua vida”, acrescentou António Ferreira.
Mais do que revisitar o passado, a publicação pretende também funcionar como legado para as gerações mais novas.
“Queremos deixar um testemunho para os filhos e netos destes homens, para que compreendam o que foi estar num teatro de operações”, sublinhou.
O responsável destaca ainda a importância de reconhecer o papel do soldado no contexto da Revolução de Abril.
“Quando se fala do 25 de Abril, fala-se, e bem, dos capitães. Mas o soldado, aquele que caminhava e que estava no terreno, nem sempre tem sido valorizado. Esta obra é também uma forma de reconhecimento pela sua disponibilidade em servir o país”, concluiu.
A sessão de apresentação do livro “Marco de Canaveses e o Ultramar” é aberta ao público em geral.

