O Festival Literário do Marco (FLIM) abriu esta sexta-feira, 29 de maio, no Emergente Centro Cultural, em Marco de Canaveses. Promovido pela Câmara Municipal, o festival decorre até domingo e divide-se entre o Emergente Centro Cultural, o Jardim Municipal e o Parque da Liberdade, com entrada gratuita em todas as atividades.
A abertura ficou marcada por dois momentos distintos: a cerimónia de entrega de prémios do V Concurso Literário e Artístico FLIM — Ler, Aprender e Escrever, e a apresentação do e-book ‘Bullying: Muda Esta História’, iniciativa da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) do concelho.
O concurso literário, que já vai na quinta edição, desafia anualmente alunos a partir do 3.º ciclo a criar textos e ilustrações em torno de uma palavra escolhida pelos participantes da edição anterior.
Este ano, o tema foi “Aceitar”. Participaram 115 alunos — 101 textos e 14 ilustrações —, dos quais foram selecionados 60 textos e sete ilustrações para um livro editado pela câmara municipal e oferecido a todos os participantes e ao público do concurso.

A madrinha desta edição, Rita Redshoes, foi responsável pela análise e seleção dos trabalhos. Cinco vencedores foram distinguidos na categoria literária. Na vertente artística, as ilustrações escolhidas integram a capa e a contracapa da publicação. A cerimónia incluiu ainda uma atuação musical da artista.
Rita Redshoes não escondeu o impacto da leitura dos textos. “Houve textos que me surpreenderam muito por pontos diferentes”, afirmou, acrescentando que a tarefa de escolher foi das mais difíceis.
“A parte mais difícil foi mesmo fazer escolhas. Houve muitos textos que poderiam estar neste livro, mas era necessário definir um conjunto final”, confessou, ao mesmo tempo que valorizou o papel do festival enquanto espaço de formação e estímulo intelectual.
“É na educação e no contacto com a arte que se desenvolvem a capacidade de abstração e o pensamento crítico. Este festival desafia os jovens precisamente nesse sentido”, disse.
A artista destacou ainda a importância de acreditar nas novas gerações: “Não sabemos quem está aqui nesta plateia, mas podem estar futuros escritores, pensadores ou artistas. É importante olhar para estes jovens com essa esperança e confiar nas suas capacidades.”
A artista considerou ainda que iniciativas como o FLIM são uma forma de contrariar os estímulos dominantes na sociedade atual. “É muito importante valorizar a arte, a literatura, a capacidade de abstração e de concentração. Este festival vem precisamente desafiar estes alunos a fazê-lo. Isso é uma espécie de bênção na realidade em que vivemos hoje”.

A presidente da Câmara Municipal, Cristina Vieira, também se referiu à qualidade dos trabalhos apresentados.
“Tive a oportunidade de ver alguns textos e há aqui textos que lhes exprimem muito. São muito jovens, mas têm uma capacidade criativa imensa. Cheguei a pensar se era mesmo verdade terem sido tão jovens a escrever, porque a qualidade dos textos reflete uma experiência de vida que eles, pela idade, não têm, mas que já conseguem demonstrar na escrita”, disse.
“Estes jovens veem um livro editado com os textos deles e com as ilustrações deles, uma coisa que muitas pessoas querem conquistar durante uma vida inteira”, sublinhou a autarca.
Cristina Vieira evocou o escritor Raul Minh’alma, natural do Marco de Canaveses e um dos autores jovens com maior projeção no mercado literário nacional, como exemplo do potencial que o concelho pode gerar.
“O que eu espero mesmo é que muitos daqueles jovens que aqui estiveram hoje lutem por aquilo que o Raul Minh’alma fez — conquistou um espaço na literatura que é muito difícil de alcançar, mas estou certa que muitos jovens marcoenses também o podem conseguir”, afirmou.
A presidente destacou ainda a importância de apostar na escrita num tempo dominado pelos estímulos digitais. “Fico extremamente feliz de saber que há muitos jovens marcoenses que ainda apostam na escrita”, disse.

Ainda esta sexta-feira, o Emergente Centro Cultural acolheu a apresentação do e-book Bullying: Muda Esta História, promovido pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) do Marco de Canaveses, em parceria com o CAERUS – CLDS5G e os estabelecimentos de ensino do concelho, com apoio do município.
A publicação resulta de um concurso com o mesmo nome, que desafiou alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário a criar histórias e bandas desenhadas — verídicas ou fictícias — sobre o bullying.
O objetivo foi sensibilizar para as consequências deste fenómeno e incentivar o envolvimento dos jovens, da comunidade educativa e da população na procura de soluções. Os trabalhos selecionados deram origem ao e-book agora apresentado.
Na sessão, a presidente da Câmara Municipal, Cristina Vieira, destacou o papel da comunidade na resposta a este fenómeno, sublinhando que “é fundamental envolver todos na prevenção do bullying e na promoção do bem-estar das nossas crianças e jovens”.
O FLIM prossegue este sábado com atividades e animação para crianças durante a manhã, e apresentações de livros à tarde, que se prolongam também pelo domingo.
O cartaz do festival reúne nomes como Fátima Lopes, Margarida Rebelo Pinto, Luís Osório, Carlos Fiolhais, Martim Sousa Tavares, José Gardeazabal, Madalena Sá Fernandes e Ricardo Ribeiro. Todas as atividades são de entrada gratuita.

