A exposição “Rostos da Democracia sem Censura”, da artista plástica Mafalda Rocha, foi inaugurada, no dia 20 de setembro, no Mosteiro de Ancede Centro Cultural, em Baião. A cerimónia foi presidida pelo Secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, e contou com atuação musical de Adriana Borges.
A mostra junta 51 obras que cruzam documentos históricos, textos censurados e retratos de figuras da luta pela liberdade em Portugal. Um dos destaques vai para o papel das mulheres na resistência à ditadura, frequentemente ausente dos relatos históricos.
Alberto Santos elogiou o trabalho de Mafalda Rocha, “artista da nossa região”, e sublinhou o papel da arte na defesa das liberdades.
“A arte é a forma mais forte, mais potente que nós humanos temos de exprimirmos aquilo que pensamos”, afirmou, recordando como a música, a escrita, os jornais e a pintura serviram, no tempo da censura, para contornar as limitações impostas pelo regime.
O governante alertou ainda para a atualidade do tema, considerando que “ciclicamente” regressam pensamentos do passado, “no mundo” e também “em Portugal”. Defendeu por isso o papel dos artistas na defesa da democracia, e reafirmou a aposta do Governo em levar a cultura ao interior do país, privilegiando os criadores locais.
Sobre a valorização do papel feminino na exposição, o Secretário de Estado notou que a atenção recai habitualmente sobre a resistência masculina, “mas houve muitas mulheres” que tiveram um papel importante, “muitas presas várias vezes”. Segundo Alberto Santos, o trabalho de Mafalda Rocha dá-lhes agora visibilidade.

A presidente da Câmara Municipal de Baião, Ana Raquel Azevedo, destacou o modo como a artista cruza imagem e memória para contar “a luta de tantos homens, mas de tantas mulheres principalmente”, pela democracia.
A autarca apelou à visita da população, sobretudo dos mais jovens, e admitiu a possibilidade de promover visitas escolares à mostra, tal como já aconteceu no passado.
Questionada sobre os maus-tratos sofridos pelas mulheres durante o Estado Novo, tanto pelo regime como no espaço doméstico, Ana Raquel Azevedo reconheceu que a história foi muitas vezes contada por vozes masculinas, “o que apagou muito daquilo que foi a parte ativa” das mulheres na luta pela liberdade. Sublinhou ainda que, “hoje em dia”, a sociedade “ainda não vive num mundo totalmente justo e igual” entre homens e mulheres.
A exposição “Rostos da Democracia sem Censura” está patente ao público no Mosteiro de Ancede Centro Cultural, em Baião, até 15 de outubro.
