FUTEBOL: Dois irmãos, dois clubes e um dérbi especial entre ACR Sendim e UD Torrados [C/AUDIO]

O dérbi concelhio entre ACR Sendim e UD Torrados, agendado para o próximo sábado, 7 de novembro, terá um ingrediente muito particular. Além da rivalidade entre duas equipas do concelho de Felgueiras, o encontro da 6.ª jornada da Série 1 da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto (AF Porto) vai colocar frente a frente dois irmãos: José Artur Cunha, presidente do Sendim, e David Moina, treinador do Torrados.

Uma partida que promete emoções especiais, não apenas dentro das quatro linhas, mas também no plano familiar. José Artur Cunha acredita que o jogo poderá ter um significado diferente para o irmão, recordando a ligação de David ao clube que agora vai defrontar.

“Acho que deve ser mais especial para ele do que para mim. É de Sendim, mora em Sendim, começou a carreira de jogador em Sendim, fui eu que o lancei, e também iniciou ali a carreira de treinador”, recordou o dirigente.

Apesar da relação familiar, o presidente do ACR Sendim não esconde a vontade de conquistar os três pontos. “Quero que o Torrados ganhe os jogos todos por ele, menos contra o Sendim. No sábado, iremos fazer tudo para ir buscar os três pontos”, afirmou.

David Moina já representou o ACR Sendim como treinador e jogador

David Moina também reconhece a carga emocional do encontro. O treinador da UD Torrados admite que será uma partida diferente, sobretudo pela ligação que mantém ao adversário e à terra onde cresceu. “É o clube que me diz muito por causa do meu irmão, é o clube da minha terra. É um jogo complicado a nível do coração, mas, dentro das quatro linhas quero ganhar”, assumiu.

Apesar da proximidade familiar, os dois irmãos evitam conversar sobre futebol e, em particular, sobre este desafio. “Falamos muito pouco de futebol. Temos ideias muito diferentes um do outro e, ainda por cima, com este tipo de jogo que temos no sábado, evitamos falar sobre o assunto”, revelou David Moina.

Torrados parte em vantagem, mas Sendim acredita na surpresa

Apesar dos sentimentos envolvidos, nenhum dos irmãos esconde o favoritismo da equipa orientada por David Moina. A UD Torrados ocupa o quarto lugar da tabela, com 10 pontos, enquanto o ACR Sendim ainda não conseguiu pontuar nas cinco jornadas disputadas e ocupa a última posição.

José Artur Cunha considera que a diferença entre as duas equipas vai além da classificação. “É óbvio que o Torrados é favorito em tudo: no orçamento, nos objetivos e na qualidade dos jogadores. É até mais do que favorito”, reconheceu, embora mantenha a confiança no grupo que dirige.

José Artur Cunha recebeu o prémio de Dirigente do Ano na Gala do Desporto de Felgueiras 2026

O presidente da ARCR Sendim aproveitou também para esclarecer uma particularidade que considera importante: apesar da sua equipa jogar no Estádio do Torrados, já que o seu próprio recinto não reúne as condições exigidas para a participação na Divisão de Honra, o clube não utiliza aquele espaço para treinar.

“O Sendim joga em Torrados, mas não fez um minuto de treino em Torrados. O Torrados joga fora contra o Sendim, mas é como se jogasse em casa”, explicou.

Também David Moina reconheçe que a situação penaliza o adversário. “Infelizmente, o Sendim tem de jogar em Torrados, porque ainda não tem condições para competir nesta divisão. Não há nada como jogar em casa e com os próprios adeptos”, observou.

O treinador assume, por isso, que a UD Torrados parte com vantagem, tendo em conta “a experiência, a qualidade do plantel e os resultados alcançados até ao momento”.

Do lado do Sendim, a prioridade passa por conquistar finalmente a primeira vitória da temporada. José Artur Cunha acredita que um resultado positivo poderá devolver confiança ao grupo.

“Faz-nos falta uma vitória para dar moral aos jogadores, porque treinar em cima de derrotas não é fácil. O Sendim vai manter-se nesta divisão e fará tudo para que isso aconteça. O que nos falta é uma vitória, só isso”, sublinhou.

Uma família dividida entre Sendim e Torrados

A rivalidade desportiva também se estende à família. José Artur Cunha admite que a mulher, a mãe e outros familiares terão de escolher entre os dois lados, embora reconheça que a ligação a ambos os clubes torna essa tarefa complicada.

“Só tenho pena que uma pessoa, que nos fez crescer, não possa estar cá. Mas acredito que vai estar, onde estiver, a ver o jogo e a torcer por nós os dois”, sublinhou.

Do lado de David Moina, os filhos estarão mais próximos do Torrados, clube que o treinador representa e ao qual também estão ligados desde pequenos. Ainda assim, a ligação familiar a Sendim continua muito presente, até porque é a terra onde vivem e onde o pai sempre teve um carinho especial.

“É um misto de emoções, mas engraçado. Espero sinceramente que corra tudo bem. Conheço muito bem o Sendim, acompanho o clube e também gosto dele, porque é a minha terra”, reconheceu o treinador.

David Moina e José Artur Cunha

Mais do que a divisão familiar, David Moina espera que o encontro decorra com normalidade. E já sabe que, em caso de vitória, terá de controlar as manifestações de alegria.

“Se o Torrados marcar aos 90 minutos o golo da vitória, pode parecer ridículo, mas nem sequer festejo. Festejo por dentro, fico contente, mas não festejo por uma questão de respeito pela minha terra, pelo meu irmão e pelas pessoas que estão lá”, revelou.

José Artur Cunha, por sua vez, não tem dúvidas sobre o primeiro gesto após o apito final, independentemente do resultado: “É óbvio que o primeiro abraço será para ele”, concluiu.

Partilhar