FUTEBOL: Bock leva FC Maia Lidador ao Campeonato de Portugal. “Esta subida tem outro sabor” [C/AUDIO]

O FC Maia Lidador vai disputar o Campeonato de Portugal na temporada 2026-2027. A presença na prova nacional chegou por via da desistência do FC Mosteirense, da Associação de Futebol de Portalegre, cabendo ao emblema maiato ocupar a vaga deixada em aberto, como recompensa pelo segundo lugar alcançado na Liga Pro da Associação de Futebol do Porto (AF Porto).

Para um clube fundado em 2009, trata-se de um marco histórico: é a primeira vez que a equipa sénior do FC Maia Lidador participa num campeonato nacional. O antecessor, o FC Maia, esteve pela última vez numa competição desta natureza em 2007-2008, então na 3.ª divisão.

A subida traz consigo outras consequências competitivas. A participação no Campeonato de Portugal garante ao FC Maia Lidador o apuramento direto para a Taça de Portugal. Já o Nogueirense FC, terceiro classificado da Liga Pro da AF Porto, ficará com um convite para participar na prova rainha do futebol nacional.

Uma recuperação construída a partir de dezembro

A subida ao Campeonato de Portugal tem a marca pessoal do treinador Bock, que assumiu o comando técnico do FC Maia Lidador em dezembro do ano passado.

Na altura, a equipa ocupava o quinto lugar da tabela, com 26 pontos, a nove do líder UD Sousense e a quatro do segundo lugar, então partilhado pelo Aliança FC Gandra e pelo Nogueirense FC.

Bock descreveu como encarou a missão desde o primeiro momento: “Quando fui convidado para ir para o Maia, aceitei de imediato, porque era um clube que me dizia muito”.

O técnico reconheceu, porém, que a tarefa estava longe de ser simples: “Na nossa chegada ao Maia, sentimos realmente que não ia ser um trajeto fácil, porque já íamos a vários pontos de distância de três equipas. Recuperar a desvantagem para uma equipa é difícil, o que fará recuperar para três”.

Apesar disso, Bock chegou ao clube com convicções firmes: “Confiava muito na minha equipa técnica, confiava no plantel que tinha. Apesar de ser um plantel curto, porque quando cheguei houve jogadores que saíram. Mas também confiava na estrutura e confiava, acima de tudo, em mim mesmo e nos meus colaboradores”.

O clique que mudou a época

A chave da recuperação, segundo Bock, esteve no trabalho mental com o grupo: “Encontrei uma equipa que estava um bocadinho mal fisicamente e, principalmente, animicamente. O que eu senti foi que consegui soltá-los mentalmente, porque cada treinador tem a sua maneira de falar com os jogadores”.

O técnico assumiu que essa libertação anímica foi o seu “grande trunfo”, ao qual juntou uma identidade de jogo clara: “Gosto de ter um futebol de ataque, sem medo de errar, um futebol atrativo, de marcar muitos golos. Por acaso, este ano foi ao contrário, não marcámos tantos golos, mas tivemos a felicidade de não sofrer tanto. Fomos a melhor defesa do campeonato, muito à frente dos outros”.

Desde o primeiro treino, Bock transmitiu ao plantel a crença de que o objetivo era alcançável: “A primeira coisa que disse ao balneário foi que era possível ser campeão. Pedi-lhes só para ir jogo a jogo, mas que era possível subir para o Campeonato de Portugal e isso entrou na cabeça dos jogadores. Eles sentiram que tinham um treinador exigente, mas que lhes dava abertura e total liberdade”.

A mudança de dinâmica foi progressiva. Bock apontou ajustes táticos concretos: “A nível defensivo, o Maia sofria muitos golos. Troquei o lateral direito e troquei mais um central, porque senti que naquele momento era melhor para o Maia”.

O resultado foi imediato: “Entrámos numa fase de oito ou nove jogos sem sofrer golos. Ganhávamos quatro, cinco jogos seguidos por 1-0 e os jogadores foram-se sentindo confortáveis, muito abertos com a equipa técnica. Criámos uma família e um grupo”.

Segunda subida em três anos

Esta não é a primeira vez que Bock conduz uma equipa ao Campeonato de Portugal. Em 2022-2023, foi o responsável por levar o Marco 09 de regresso aos nacionais, depois de 16 anos de ausência.

Agora, repete o feito com o FC Maia Lidador, num intervalo de apenas três anos, e com uma carga emocional acrescida: “Ser campeão no clube em que fiz o meu primeiro ano de sénior, aos 18 anos, com o presidente e o diretor a ser os mesmos, e subir novamente com o senhor Eduardo Teixeira, é um motivo de orgulho. É dos dias mais felizes que tenho desde que sou treinador”.

O técnico traçou paralelo com a subida alcançada ao serviço do Marco 09, mas confessa que esta conquista tem um sabor diferente — e mais especial. “A subida no Marco foi muito importante. Mas esta subida no Maia tem outro sabor, porque foi feita com muito sacrifício, com a chegada a meio, com um plantel que não foi feito por mim”.

Quanto ao futuro, Bock admitiu não ter ainda qualquer certeza sobre a continuidade no cargo: “Soubemos da notícia hoje de manhã, oficialmente. Ainda não falámos de nada. Não sei se o Maia vai querer contar comigo. Agora, hoje é dia de desfrutar e depois logo se verá o futuro”, concluiu.

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