As saídas do GD Penha Longa e do ACD Avessadas reduz o número de participantes nas competições da Liga Marcoense de Futebol Amador (LIMFA). Nuno Pinto aponta a falta de recursos humanos nas associações, enquanto Palmira Mendes pede mais condições para garantir a continuidade dos clubes.
As competições da LIMFA arrancaram, este sábado, 31 de outubro, com a realização da Supertaça, no Estádio Municipal de Marco de Canaveses. O GD Feira Nova conquistou o primeiro troféu da temporada, ao bater o Maureles FC, por 4-1.
O campeonato tem início agendado para 8 de novembro e contará com apenas seis equipas, menos duas do que na época passada. A redução resulta da saída do GD Penha Longa, que decidiu integrar as provas da Associação de Futebol do Porto, e do ACD Avessadas, que optou por não participar nas competições amadoras do concelho.
Além dos dois finalistas da Supertaça, vão disputar o campeonato a ADRC Sande, o GD Manhuncelos, a AD Carvalhosa e o Cruzeiro FC, em representação do concelho de Penafiel.
A diminuição do número de participantes preocupa a direção da LIMFA, presidida por Palmira Mendes, e mereceu também a análise de Nuno Pinto, vereador com o pelouro do Desporto da Câmara Municipal de Marco de Canaveses.
O autarca considera que a falta de pessoas disponíveis para assumir responsabilidades nas associações constitui um dos principais obstáculos ao crescimento da competição.
“Penso que o problema não é tanto financeiro nem de estruturas. Facilmente identificava mais duas ou três equipas que têm condições para participar, mas falta gente para trabalhar nas associações”, afirmou.
Nuno Pinto reconhece que existem clubes no concelho com condições para integrar a LIMFA, mas que não conseguem reunir os recursos humanos necessários. “Há equipas que historicamente participavam neste campeonato, que não estão federadas, e que têm estrutura para competir. Falta que as equipas se organizem”.
O vereador recordou ainda que, no ano passado, a autarquia aumentou “em 25% o apoio atribuído às equipas da LIMFA” e garantiu disponibilidade para continuar a colaborar com os clubes. Ainda assim, considera que o financiamento, por si só, não resolve as dificuldades.
“Tem mais que ver com gente para estar à frente das associações, pessoas para treinar durante a semana e jovens que queiram competir. Não está fácil. Há uma falta de gente para trabalhar nas associações, quer no desporto, quer noutras áreas”, observou, acrescentando que a Câmara Municipal continuará disponível para apoiar as associações.
Palmira Mendes defende mais apoios aos clubes
Também Palmira Mendes identifica a falta de dirigentes como uma das principais razões para a redução do número de equipas. A presidente da LIMFA distingue, contudo, duas realidades: a saída de clubes que procuram competir no futebol federado e o desaparecimento de outros por falta de pessoas disponíveis para assegurar a sua gestão.
“Há equipas que legitimamente dão o salto. Foi o caso do Penha Longa, que passou para o futebol federado. O que mais nos preocupa é a perda de equipas por falta de pessoas disponíveis para assumir as direções dos clubes”, explicou.
A dirigente lembra que a gestão de uma associação, mesmo no contexto amador, exige disponibilidade e sacrifício pessoal. Por isso, deixou um apelo direto às populações: “Não deixem morrer os clubes das vossas terras. Sem direções não há futebol”.
Palmira Mendes reconhece também que os encargos financeiros representam uma dificuldade para os clubes e considera que o apoio municipal pode ter um papel importante na sua continuidade nas competições da LIMFA.
A presidente da LIMFA fez questão de destacar a relação com a autarquia, a quem reconhece um contributo fundamental, mas defendeu também a necessidade de encontrar soluções que ajudem as associações a suportar os custos da atividade.
“A Câmara Municipal de Marco de Canaveses é o parceiro número um da LIMFA e quero sublinhar isso publicamente. O apoio deles é fundamental. O nosso objetivo é continuar a trabalhar em conjunto com a autarquia, encontrar soluções e incentivos que ajudem a fixar os clubes no amador”, revelou.
Para Palmira Mendes, o futebol amador representa muito mais do que a competição dentro das quatro linhas. “Com muito menos orçamento, movemos milhares de pessoas, tiramos jovens e adultos do sedentarismo e mantemos comunidades unidas”, conclui.

