Amarante recebeu, a 16 de outubro, a iniciativa “Onze Concelhos. Um Só Coração”, promovida pela Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa, em parceria com 11 municípios, escolas e corporações de bombeiros. A ação, integrada nas comemorações do Dia Mundial da Reanimação, teve como principal objetivo sensibilizar e capacitar a população para reconhecer uma paragem cardiorrespiratória e saber como agir perante uma situação de emergência.
Ao longo do dia, a iniciativa envolveu alunos e a comunidade em geral, que tiveram a oportunidade de conhecer os procedimentos essenciais de Suporte Básico de Vida (SBV). Reconhecer os sinais de uma paragem cardiorrespiratória, contactar o 112 e realizar compressões torácicas em manequins de treino foram algumas das competências abordadas durante a atividade.

Rosa Monteiro, enfermeira e formadora no departamento de Suporte Básico de Vida da ULS do Tâmega e Sousa, destacou a importância de proporcionar à população conhecimentos práticos que permitam agir com maior confiança em situações reais.
“Procuramos fazer todo o procedimento que deve ser efetuado ao longo de uma paragem cardiorrespiratória, desde o momento de reconhecimento da vítima, até à chamada de ajuda do 112 e iniciar manobras de suporte básico de vida”, explicou.
A formadora salientou ainda a adesão dos participantes, considerando que a iniciativa permitiu aproximar a população dos procedimentos de emergência.
“Todas as pessoas que foram passando foram querendo participar. Tivemos uma boa adesão e espero que, depois de terem participado, sintam-se muito mais confiantes para atuar em situações reais de paragem cardiorrespiratória”.
A rapidez de resposta perante uma paragem cardiorrespiratória pode ser determinante para a sobrevivência da vítima. Marisa Cardoso, médica da ULS do Tâmega e Sousa, sublinhou que a ajuda imediata pode fazer a diferença enquanto não chegam os meios de socorro diferenciados.
“Quando nós conseguimos dar o auxílio imediato, isso faz toda a diferença no prognóstico final”, afirmou, defendendo a importância de transmitir à população a confiança necessária para intervir em segurança.
A médica reconheceu que algumas pessoas começaram a atividade com alguma inibição perante os manequins de treino, mas foram ganhando confiança à medida que experimentavam as manobras. A partilha de experiências pessoais e de episódios vividos por familiares demonstrou também a relevância deste tipo de ações para a comunidade.
Para Marisa Cardoso, é fundamental que as pessoas percam o receio de se aproximar de uma vítima, respeitando as devidas medidas de segurança. Saber como agir nos primeiros momentos pode permitir prestar auxílio até à chegada da ambulância.

A vice-presidente da Câmara Municipal de Amarante, Eugénia Teixeira, destacou o papel da iniciativa na mobilização da comunidade e na promoção da literacia em saúde.
Durante a manhã, os alunos tiveram acesso a ações de sensibilização sobre o Suporte Básico de Vida. No período da tarde, a atividade foi alargada à população, com a colaboração das duas corporações de bombeiros do concelho, de Amarante e de Vila Meã, permitindo aos participantes assistir às demonstrações e experimentar as manobras.
“Foi possível falar sobre a paragem cardiorrespiratória, o que é, como identificar e depois o que fazer em situação de paragem”, explicou a autarca, sublinhando a importância de transmitir informação simples e concreta, nomeadamente sobre quando e como contactar o 112.
A iniciativa decorreu simultaneamente nos 11 concelhos abrangidos pela ação, que, às 16h10, promoveram a mesma atividade de sensibilização.
Para Eugénia Teixeira, o envolvimento de diferentes entidades é essencial para que a preparação para situações de emergência não seja vista como uma responsabilidade exclusiva dos profissionais de saúde.
“Em estado de emergência, todos nós temos um papel ativo e preponderante e podemos salvar vidas”, afirmou, defendendo que a literacia em saúde deve chegar às escolas, aos municípios e à comunidade em geral.
Entre os participantes esteve Daniel Silva, natural de Caíde de Rei, que partilhou uma experiência pessoal relacionada com sintomas que podem estar associados a um problema cardíaco. O seu testemunho reforçou a importância de conhecer os sinais de alerta e de procurar ajuda atempadament
Em 2012, enquanto se encontrava a fazer tratamento para uma tuberculose, Daniel sentiu uma dor forte no braço esquerdo e no peito, acompanhada de alguma falta de ar. O episódio durou cerca de um minuto e os sintomas acabaram por desaparecer.
Mais tarde, voltou a sentir-se mal e decidiu pesquisar os sintomas, numa tentativa de perceber o que poderia estar a acontecer. A experiência levou-o a reconhecer a importância de estar informado sobre os sinais que o organismo pode manifestar.
“É sempre bom porque, derivado daquilo que eu tive, é bom que as pessoas saibam aquilo que a gente tem e como é que tem”, afirmou.
A participação de Daniel Silva na iniciativa constituiu uma oportunidade para valorizar a partilha de experiências pessoais e sensibilizar para a importância de reconhecer sinais de alerta, sem desvalorizar sintomas que podem exigir avaliação médica urgente.

