Luciano Cerdeira assumiu, a meio de junho, a coordenação do futebol de formação do FC Alpendorada e encontrou um projeto com uma dimensão que, admite, superou as expectativas iniciais. Três meses depois, o clube do concelho do Marco de Canaveses duplicou o número de crianças face à época anterior e ultrapassou os 150 atletas.
“Há três meses, quando o presidente me convidou, achei que podia ser um projeto aliciante. Não tínhamos a expectativa que temos neste momento. O clube cresceu quase o dobro”, revelou o técnico, de 44 anos, que trocou um percurso ligado sobretudo ao futebol sénior por uma função centrada na formação e na organização dos escalões jovens.
A estrutura conta esta época com equipas de competição nos sub-6, sub-7, sub-8, sub-9, sub-10, sub-11, sub-12, sub-13, sub-15, sub-17 e sub-19. Luciano Cerdeira admite ainda a possibilidade de alguns escalões, como os sub-9 e sub-10, apresentarem duas equipas, face ao número de crianças inscritas.
“O pensamento é os nossos meninos treinarem, mas também terem a possibilidade de jogar muito”, explica. A aposta passa pela participação nas provas da Associação de Futebol do Porto (AF Porto) e nos torneios promovidos pela Dragon Force, referência metodológica assumida pelo clube para esta nova etapa.
“Queremos tudo à nossa imagem, queremos à imagem da Dragon Force, naquilo que é a metodologia que o FC Porto acredita e com a qual também estamos de acordo. Essa exigência nota-se todos os dias naquilo que queremos fazer. Confesso que estou muito feliz por ter abraçado este projeto”, afirma o coordenador.

Formação como prioridade estratégica
O crescimento traz também novas exigências. A estrutura conta com Miguel Pinto, diretor-geral, e Joana Monteiro, diretora social, além dos treinadores dos vários escalões.

O clube procura ainda reforçar a equipa técnica com “mais dois ou três elementos”, mas Luciano Cerdeira deixa claro que a prioridade não é apenas preencher vagas.
“Não queremos só treinadores por ser treinador. Queremos alguém que venha acrescentar e que se identifique com aquilo que pretendemos para o clube”, sublinha.
A formação assume, assim, uma dimensão estratégica para o futuro do FC Alpendorada. O objetivo passa por criar condições para que os jovens possam chegar ao futebol sénior com qualidade e identidade própria.
“Queremos uma formação com qualidade, a trabalhar de forma séria, e que consiga que os jogadores cheguem aos seniores e não sejam só mais um ou dois para fazer número, mas que sejam jogadores da formação a pertencer e a mostrar a qualidade no futebol sénior”, explica.

A componente competitiva também está presente, sobretudo nos escalões mais velhos. Nos sub-17 e sub-19, o objetivo definido passa pela subida de divisão, numa tentativa de colocar estas equipas nos patamares que o clube considera adequados para o seu projeto.
“Principalmente nos sub-19 e nos sub-17, o objetivo é claramente subir de divisão, porque o clube está num patamar muito baixo e tem de subir”, afirma Luciano Cerdeira. Nos restantes escalões, a prioridade está na aprendizagem, evolução, competição e formação pessoal.
“Queremos que os miúdos aprendam a jogar futebol, evoluam, tenham competição, tenham regras, cresçam em vários aspetos e, depois, claro, sejam felizes. É aquilo que mais queremos”, explicou.

Infraestruturas colocam novos desafios
O aumento do número de equipas também obriga a uma gestão mais exigente das infraestruturas. Luciano Cerdeira considera que o Estádio de Alpendorada apresenta boas condições ao nível dos balneários, mas identifica limitações no espaço disponível para os treinos.
“É um grande desafio. Felizmente, o estádio de Alpendorada, a nível de formação, tem excelentes condições de balneário. Mas temos um sintético apenas e não podemos usar o campo principal relvado, porque é dos seniores”, explica.
O crescimento da formação poderá, por isso, levar o clube a equacionar “novas soluções no futuro”, numa referência à possibilidade de repensar os espaços disponíveis.

Uma mudança de percurso assumida com entusiasmo
A entrada na formação representa uma mudança significativa na carreira de Luciano Cerdeira, que passou pelo comando técnico do SC Rio de Moinhos, São Lourenço do Douro, CD Cinfães e FC Termas de São Vicente. A experiência no futebol sénior deu lugar a um desafio que o treinador admite não ter previsto.
“Não me passava pela cabeça assumir um projeto destes. Às vezes uma pessoa tem desilusões no futebol e percebe que não é só o trabalho, a competência e a dedicação que funcionam. Percebi isso nos últimos tempos e o desafio foi aliciante”, confessa.
O técnico garante estar “extremamente feliz” com a decisão e com a equipa que encontrou no Alpendorada. A ambição passa agora por construir uma identidade própria para a formação e aproximá-la da imagem que o clube pretende projetar.
“Espero dar alegrias às pessoas de Alpendorada e, provavelmente, como disse numa reunião que tivemos com os pais, que a raça do pedreiro tenha algum sentido e que as pessoas olhem para as equipas do Alpendorada e digam: ‘A raça do pedreiro está ali presente’. É isso que estamos a tentar construir”, concluiu.
