O Governo está a reforçar os meios destinados à prevenção dos incêndios rurais através de um investimento global de 80 milhões de euros em equipamentos, anunciou esta terça-feira o ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, durante uma cerimónia em Amarante.
No âmbito deste reforço, foram entregues oito tratores aos municípios, cinco dos quais destinados a concelhos da região do Tâmega e Sousa, com o objetivo de aumentar a capacidade de intervenção na gestão de combustível e na manutenção do território.
“A prevenção faz-se durante o tempo todo”, afirmou o ministro, garantindo que o Governo já está a trabalhar nos investimentos para o próximo ano.
José Manuel Fernandes reconheceu, contudo, que a entrega dos tratores aconteceu mais tarde do que seria desejável. Segundo explicou, o processo de aquisição sofreu atrasos devido à complexidade do concurso internacional e a situações de litigância.
“Se me pergunta se já devíamos ter isto há mais tempo e há anos, já devíamos ter. Agora, tal como prevenir é melhor do que remediar, também mais vale tarde do que nunca”, afirmou.
O investimento de 80 milhões de euros inclui diferentes tipos de equipamentos destinados a reforçar a capacidade de prevenção e intervenção no território.
O ministro deu como exemplo as máquinas de rasto, já disponibilizadas a 18 comunidades intermunicipais, e mais de duas mil motorroçadoras destinadas aos sapadores florestais.
A estratégia inclui ainda 30 milhões de euros para equipamentos destinados a pequenas e médias empresas, num programa que, segundo José Manuel Fernandes, já conta com mais de 400 candidaturas aprovadas.

O objetivo é reforçar a mecanização dos trabalhos de limpeza e gestão de combustível, contribuindo também para ultrapassar as dificuldades sentidas pelos municípios na contratação de mão de obra.
Para o ministro, a prevenção dos incêndios exige uma resposta articulada entre municípios, comunidades intermunicipais, sapadores florestais, empresas privadas e restantes agentes que intervêm no território.
“Este é um trabalho de coordenação, é um trabalho onde todos são essenciais”, salientou.
José Manuel Fernandes enquadrou estes investimentos no plano de intervenção para a floresta até 2050, que prevê medidas relacionadas com a valorização e resiliência da floresta, a propriedade e a governança.
O presidente da Câmara Municipal de Felgueiras e da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, Nuno Fonseca, considerou que os novos tratores vão permitir dar maior mobilidade às equipas e acelerar os trabalhos de limpeza das faixas de gestão de combustível.
“Vai acrescentar às nossas equipas de trabalho maior mobilidade e, sobretudo, mais rapidez naquilo que é a limpeza das faixas de gestão do combustível”, afirmou.
O responsável reconheceu, contudo, que os meios agora disponibilizados ainda não correspondem totalmente às necessidades da região.
“Não são ainda aqueles meios desejados, mas temos de continuar a apostar neste investimento grande, sobretudo na prevenção”, defendeu.
Nuno Fonseca destacou ainda a importância de articular os novos equipamentos com os meios já existentes na comunidade intermunicipal, nomeadamente a bulldozer atribuída à CIM, que permite uma resposta integrada em diferentes pontos da região.
A dimensão do território florestal de Amarante evidencia a importância do reforço da capacidade de prevenção. Dos cerca de 30 mil hectares do concelho, aproximadamente 70% são espaços florestais, o equivalente a cerca de 21 mil hectares.
O presidente da Câmara Municipal de Amarante, Jorge Ricardo, destacou que esta realidade representa simultaneamente uma das maiores riquezas do concelho e uma responsabilidade acrescida na prevenção e gestão do risco.

Em 2024, Amarante registou 129 ocorrências e mais de 1.500 hectares de área ardida. No ano passado, foram contabilizadas cerca de 90 ocorrências e aproximadamente 600 hectares de área ardida.
“Estes números apenas demonstram que a prevenção tem de ser um trabalho realizado durante todo o ano, de forma planeada e continuada”, afirmou.
O município já intervencionou cerca de 200 hectares de faixas de combustível ao longo da rede rodoviária sob a sua responsabilidade, através de um protocolo com a Associação Florestal Entre Douro e Tâmega.
Considerando também as intervenções realizadas por outras entidades com responsabilidades na gestão florestal e pelos proprietários privados, Jorge Ricardo aponta para cerca de 800 hectares já intervencionados no concelho.
O autarca defende que a gestão da floresta exige continuidade, investimento e meios para a manutenção dos caminhos florestais, gestão de faixas de combustível, beneficiação de pontos de água, silvicultura preventiva, vigilância e sensibilização das populações.
“Não conseguimos evitar todas as ocorrências, mas podemos preparar ainda melhor o território, criando condições para uma resposta mais rápida e mais eficaz”, concluiu.
Os concelhos de Marco de Canaveses, Amarante, Baião, Celorico de Basto e Felgueiras, foram os concelhos abrangidos pela entrega, esta terça-feira, de tratores para apoio à gestão de combustível floresta.
