As Piscinas Municipais do Marco de Canaveses vão fechar portas durante, pelo menos, um ano, a contar a partir do momento em que as obras arrancarem. O anúncio surge na sequência da aprovação, na reunião de executivo da Câmara Municipal, da passada sexta-feira, 22 de maio, do lançamento de um concurso público para a requalificação profunda das instalações, com um valor máximo de 1,8 milhões de euros.
A obra, há muito reclamada, tornará o encerramento inevitável quando chegar a hora. Numa entrevista à MARCOENSE FM, José Manuel Carvalho, vereador responsável pelas obras públicas, não escondeu o impacto que a paragem terá na vida de milhares de marcoenses e fez um apelo direto à compreensão da população.
“Sei que vai ter um impacto direto num número muito significativo de milhares de pessoas que ali faziam uso de um dos equipamentos de maior utilização no concelho, não só ao nível da sua saúde, mas também ao nível do desporto. Mas não há outra forma de realizar esta intervenção sem suspender a atividade. Trata-se de uma obra profunda, que exige tempo e condições técnicas adequadas”, explicou.
A intenção do município é que as obras arranquem ainda durante o verão, aproveitando o período em que as piscinas encerram para a época balnear — altura em que a piscina exterior continua em funcionamento.
No entanto, o vereador admite reservas quanto à data exata de início, sobretudo por condicionalismos administrativos. O processo obriga à submissão a visto do Tribunal de Contas, dado o valor envolvido.
Para evitar esse risco, o município optou por um concurso limitado por prévia qualificação, mecanismo que restringe a participação a empresas com historial comprovado em obras de natureza e escala semelhantes.
“Só são admitidas aquelas que já desenvolveram obras deste tipo, de um determinado montante e com um número de obras já realizadas”, explicou Carvalho. A medida pretende assegurar que haverá concorrentes sérios e com capacidade real para executar a empreitada.
O diagnóstico ao edifício revelou um conjunto de patologias que tornavam a intervenção inadiável: infiltrações na cobertura, degradação dos balneários, má qualidade do ar e da água.
“Foi feito um estudo prévio ao nível da eficiência energética do próprio edifício e, a partir daí, desenvolvemos um projeto de requalificação das nossas piscinas”, explicou o vereador, sublinhando que a cobertura “tem que ser substituída”, tal como é necessária “a melhoria dos balneários e de todos os espaços comuns”.
A requalificação prevê a substituição integral dos pavimentos, a criação de novos espaços individuais nos balneários, a eliminação definitiva das infiltrações e o reforço das redes de infraestruturas.
Mas o ponto mais ambicioso do projeto é a transformação energética do equipamento. Serão colocados 158 painéis fotovoltaicos na cobertura, a instalação de bombas de calor modernas e a eliminação total do gás natural.
Um sistema de gestão técnica centralizada passará a controlar, em tempo real, a temperatura da água, a humidade e a qualidade do ar.
“Estimamos que, com a intervenção que ali vamos fazer, vamos ter uma poupança estimada em 73% do consumo de energia”, garantiu José Manuel Carvalho, destacando que o equipamento será dotado de “uma nova metodologia em termos de energia”. O resultado é ainda a subida da classe energética do edifício de B- para A+ — o nível máximo na escala europeia.
Para quem depende das piscinas no dia a dia — utentes de saúde, desportistas federados, aulas de natação —, a alternativa mais próxima são as piscinas municipais de Alpendorada. Mas o próprio vereador reconhece que a capacidade de resposta desse equipamento é “diminuta”, com lotação quase esgotada, “em especial nos horários pós-laborais”.
A deslocação e a sujeição aos horários disponíveis serão, inevitavelmente, os novos obstáculos do dia a dia de quem hoje usa as piscinas do Marco.
“A obra não há outra forma de a fazer a não ser encerrar a piscina”, sublinhou José Manuel Carvalho, reforçando que o objetivo do município é claro: “Que a obra arranque o mais depressa possível e termine o mais depressa possível”.

