Resende: Provedor da Santa Casa alerta para falta de recursos humanos na Unidade de Cuidados Continuados [C/VIDEO]

SantaCasaResende_2020.03.24

A Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Resende (SCMR) tem dez utentes infetados por Covid-19.

Depois da morte de uma idosa com 94 anos, no último domingo, provocado pelo novo coronavírus o pior dos cenários confirmou-se. Dos restantes 13 utentes da unidade, 10 estão infetados com a Covid-19.

Os testes feitos pelo INEM foram conhecidos na noite de segunda-feira e agora a instituição aguarda ainda os resultados, que deverão ser conhecidos hoje, a 18 utentes do lar de acamados, que funciona no mesmo edifício, e também aos 32 profissionais que trabalham naquela unidade.

As autoridades de saúde ordenaram o isolamento profilático aos funcionários e os recursos humanos da instituição “estão a ficar esgotados”, revela o provedor da SCMR, Jaime Alves, em comunicado.

“Os nossos recursos estão a ficar esgotados e não temos a capacidade só por nós, de dar resposta a este desafio gigantesco que nos assola. Sem ajuda de outras entidades, deixaremos de ter capacidade de tratar e de cuidar dos utentes que se encontram no Hospital da Santa Casa”, alerta.

A unidade enfrenta, neste momento, falta de cuidadores para os idosos. Em atividade estão apenas três enfermeiros, a trabalhar em turnos de 24 horas.

Jaime Alves assegura que é intenção “continuar a trabalhar, empenhadamente”, mas alerta que “sem recursos humanos e sem meios físicos, se durante o dia de hoje não existir colaboração de outras entidades, os doentes com COVID 19 confirmados, ficarão sem qualquer assistência”.

“Não queremos demitir-nos das nossas responsabilidades, mas sozinhos estamos condenados ao insucesso”, sublinha.

O provedor não esconde a preocupação e o sentimento de revolta por falta de respostas, informações e meios para combater o inimigo. Diz mesmo que a instituição se sente abandonada e “sem resposta da Direção Geral Saúde” entidade com a qual, garante, não tem conseguido “sequer contacto”.

“Tais práticas são geradoras de frustração e desilusão. Com a União das Misericórdias Portuguesas temos estado em permanente contacto, tal como com os organismos da Segurança Social e da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N), estando a aguardar da ARS-N um esclarecimento claro no dia de hoje, para darmos resposta aos doentes infetados da Unidade de Cuidados Continuados”, informa.