Penafiel: CHTS assinala Dia Mundial da Incontinência Urinária

CHTS_2019.03.13

Para assinalar o Dia Mundial da Incontinência Urinária, que se celebra a 14 de março, o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) promoveu um encontro sobre o tema. “Construir soluções com profissionais dedicados” foi o mote para um debate, onde se falou sobre os vários tipos de incontinência urinária, os diferentes tratamentos, numa discussão aberta, também, à participação dos doentes.

A incontinência urinária afeta cerca de 600 mil portugueses, mas apenas 10 por cento procura ajuda médica, como ficou patente nas intervenções de vários especialistas, dando conta que o assunto é ainda um tabu para muitas pessoas, o que as impede de encontrar a cura. Seja através da cirurgia, fisioterapia ou medicação, a taxa de cura é de cerca de 90 por cento, pelo que procurar ajuda médica é imperioso.

Com repercussões a nível pessoal e familiar, a doença pode mesmo, como disse o presidente do Conselho de Administração do CHTS, Carlos Alberto Silva, “afetar seriamente a vida profissional”, referindo-se ao caso de um doente que, por ter de sair muitas vezes do posto de trabalho para ir à casa de banho “acabou por perder o emprego”.

Após uma cirurgia à próstata, na sequência de um parto com uma fase de expulsão muito prolongada ou, mesmo, em jovens que praticam desportos de alto impacto, a incontinência urinária pode instalar-se, tendo um grande impacto psicológico, emocional, social e económico na vida das pessoas. Todas estas vertentes foram abordadas neste encontro, onde houve lugar, também, à descoberta de uma nova abordagem, que poderá passar por práticas como a hipnose.

Miguel Teixeira, enfermeiro do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho deu conta da sua experiência com a utilização da hipnose para o tratamento da enurese noturna nas crianças, uma prática que Joaquim Lindoro encara como “mais uma opção a explorar” também na incontinência urinária no adulto.

Para o diretor do Serviço de Urologia do CHTS, a quem coube a organização do encontro, o importante é que “os doentes recorram ao médico e não tenham medo de falar da doença”, porque, realça, “as opções terapêuticas são cada vez mais diversificadas e eficazes”.

Rogério Pacheco, enfermeiro responsável pelo Serviço de Urologia, alerta: “É fundamental que as pessoas estejam atentas a esta problemática e peçam ajuda através do médico de família.”

No CHTS, existe uma unidade de Incontinência Urinária e, semanalmente, fazem-se 30 a 50 consultas. Além do recurso à fisioterapia e aos fármacos, as soluções para os casos mais complicados podem passar, no caso de uma incontinência pós-cirurgia radical da próstata, por exemplo, pela colocação de um esfíncter artificial ou, nos casos mais acentuados de perdas de urina por esforço, o uso de redes para suporte da uretra. Seguindo as tendências mais atuais, o CHTS recorre também ao botox no tratamento desta patologia.