FUTEBOL: Jogadores do Freamunde sem casa, após meses de salários em atraso [C/AUDIO]

Freamunde_2019.01.08

Cinco jogadores do plantel do SC Freamunde foram despejados de casa, no passado fim-de-semana, na véspera do desafio com o Aliados de Lordelo. O caso foi denunciado pelo treinador Pedro Barroso, como alerta para a situação dramática que atinge alguns dos seus atletas, contratados no inicio da época.

Pedro Barroso já não consegue disfarçar o descontentamento pela atual conjuntura do Freamunde. Não no plano desportivo, porque nesse aspeto a campanha dos ‘capões’ é inatacável.

Apesar da derrota caseira no último domingo, frente ao Aliados de Lordelo, a primeira desde outubro, a equipa está instalada no 2º lugar da tabela da Divisão de Elite AFP, em zona de subida.

O desagrado do treinador do Freamunde está relacionado com a depauperada saúde financeira do clube, embora nunca tenha revelado taxativamente a existência de ordenados em atraso.

O arranque tardio no campeonato, devido a problemas com a inscrição de jogadores, ou a perda de pontos na secretaria foram contrariedades que Pedro Barroso foi conseguindo camuflar e contornar ao longo dos últimos meses, em virtude dos resultados obtidos dentro de campo.

No entanto, paciência do técnico atingiu o limite, após ter sido confrontado com “5 jogadores do plantel despejados de casa” na véspera da partida do passado domingo.

“E três deles tiveram que dormir no meu gabinete. Quem deu o pequeno-almoço a estes jogadores fui eu, no próprio estádio. São coisas ridículas que estão a acontecer”, denuncia, em declarações à Marcoense Fm.


“Há coisas incríveis que se estão a passar, que eu não gosto de mencionar, mas esta tinha de mencionar, porque depois, no momento em que estão a jogar, é-lhes cobrado todo o potencial que têm, e que não conseguem explanar em jogo, devido à instabilidade que vive no seio da equipa”, atira.

“Mediante tudo aquilo que têm vindo a passar, estes jogadores têm sido incrivelmente profissionais e competentes”, elogia.

PedroBarroso_2019.01.08

Pedro Barroso diz que quando aceitou orientar o Freamunde “lhe venderam um sonho”, mas confessa que “está a viver tudo, menos um sonho”.


“Tomara eu poder treinar apenas, mas não tem sido possível. Tenho feito muitas coisas. Eu fui contratado para treinar e tenho feito tudo o resto”, lamenta.

O técnico admite abandonar o emblema do concelho de Paços de Ferreira “se as condições não melhorarem” e confessa que só ainda não o fez porque “tem muitas responsabilidades” no planeamento da temporada.

“Eu levei a equipa técnica, levei o departamento médico, tenho uma série de jogadores que também foram comigo para o projeto e as coisas tornam-se difíceis, porque existe aqui o lado emocional que nos liga, a todos”, explica.


“Se as condições não melhorarem, naturalmente que não temos mais margem, porque estamos abdicar de tudo. Abdicamos da família para irmos para o jogo para olharmos pelos outros, no fundo, e deixamos os outros em casa”.

Apesar da instabilidade fora das quatro linhas, o Freamunde está envolvido na luta pelos lugares de acesso ao play-off de promoção ao Campeonato de Portugal.

‘Os capões’ somam 36 pontos em 18 jornadas e ocupam o 2º posto da pauta classificativa da Divisão de Elite AFP.