CULTURISMO: Rochinha, o marcoense vice-campeão nacional e europeu [C/AUDIO & VIDEO]

Rochinha_Europeu_2019.07.18

Emanuel Rochinha sagrou-se, no passado mês de maio, em Birmingham, Inglaterra, vice-campeão da europa de culturismo. O atleta, natural de Marco de Canaveses, conquistou o seu primeiro título internacional e trouxe para Portugal uma medalha “que custou muitos sacrifícios”.

Ao cruzar-se com ele nas ruas de Marco de Canaveses é improvável que não repare no volume dos seus braços. Mas o que muitos não sabem é que, maior do que os seus músculos, é o tamanho da sua determinação.

Emanuel Rochinha subiu pela primeira vez a um palco num concurso de culturismo em outubro de 2016. Desde aí, nunca mais parou. Quase três anos depois, o atleta marcoense já conta no currículo com títulos nacionais e internacionais.

O mais recente: vice-campeão da europa da modalidade. Foi no passado mês de maio, em Birmingham, Inglaterra. Uma experiencia que, diz, vai “guardar para sempre no coração”.

RochinhaPalco_2019.07.18

“Foi um título inesperado. Ficar entre os 10 primeiros já era ótimo. Por isso, o 2º lugar superou as expectativas. Valeu a pena todo o esforço, a dedicação e o sofrimento durante meses de preparação para esta prova”, confessa.


Em abril, na Madeira, Emanuel Rochinha já se tinha sagrado vice-campeão nacional, mas reconhece que atuar fora do país “é muito diferente”.

“Nos campeonatos nacionais, os atletas já se conhecem todos. Já conhecemos alguns dos jurados. Torna-se mais fácil pela adaptação. Numa prova internacional, não se conhece ninguém. Ficamos num canto à espera, a ver as horas passar e aguardar pela nossa subida ao palco”, explica.

“A exigência é maior, estamos mais nervosos, porque também estamos a representar o nosso país”, sublinha.

Se o título europeu foi inesperado, Rochinha confessa que sagrar-se vice-campeão nacional “nem tanto”, embora admita que participou na prova madeirense apenas “para preparar o corpo e afinar a condição física” para a competição inglesa, que viria a disputar semanas mais tarde.

RochinhaMadeira_2019.07.18

Apesar de orgulhoso pelos títulos recentemente conquistados, Rochinha confessa que pode ir ainda mais longe. “Ser campeão nacional e europeu está ao meu alcance”, garante.


Rochinha sempre foi magrinho. Pesa atualmente 95 quilos, mais 30 do que quando começou a frequentar ginásios.

“Desde sempre gostei de estar ligado ao desporto, então meti-me no ginásio para me ocupar um bocadinho. Entretanto, surgiu o culturismo, assim quase do nada. Depois, o meu preparador físico, o Pedro Cunha, chateou-me muito a cabeça e trabalhou comigo até termos os resultados pretendidos para participar na primeira prova”, lembra.


Antes praticou futebol, mas, a certa altura, “não conseguiu conciliar os horários do trabalho com os treinos”. Rochinha, que representou diversos clubes marcoenses e da região, confidencia que ainda sente saudades “das palestras, aos domingos, antes dos jogos”.

RochinhaAntesEDepois_2019.07.13

No culturismo, o objetivo é desenvolver os músculos do corpo e reduzir para o mínimo possível a massa gorda.

Nas provas de culturismo são avaliadas as poses feitas pelos atletas que servem para mostrar o desenvolvimento dos músculos. Isso implica “muita força de vontade e regras rígidas”, nomeadamente na alimentação, já que com o aproximar das provas “comem-se cada vez menos hidratos de carbono”.

“Por exemplo, antes de ir a Inglaterra andei duas semanas a pescada e a brócolos. Não é qualquer um que aguenta”, atira.

Rochinha salienta que para estar nesta modalidade é necessário “ser forte psicologicamente”. As refeições são todas pesadas à grama e não variam muito.

“Uma coisa é comer hidratos, outra coisa é comer brócolos, peito de perú, peito de frango, arroz basmati, arroz com nozes, arroz com banana, etc. E treinar com isso no estômago não é fácil”.


Mas nem só a dieta é exigente. A preparação física também o é. Rochinha esclarece que, quando é necessário aumentar o peso, “o treino é feito com muita carga e poucas repetições”.

“Quando entramos na parte da secagem, faz-se muitas repetições e pouca carga. E a alimentação também muda drasticamente”, explica.

O culturismo é um dos mais difíceis e disciplinados desportos, mas “ainda pouco divulgado” em Portugal. Ao mesmo tempo é exigente financeiramente para quem o pratica.

Rochinha sustenta que as despesas com uma participação no Campeonato da Europa, como foi o seu caso, “podem chegar aos milhares de euros”.

“A alimentação é cara, os suplementos são caros, as estadias são caras, é tudo muito caro”, diz. Por isso, o atleta de Marco de Canaveses confessa que necessita “de mais apoios, ao nível de patrocínios, para continuar a representar o concelho dentro e fora do país”.


“Eu agradeço a todas as empresas marcoenses que me têm patrocinado, mas ainda não é suficiente, porque o nível de exigência começa a ser maior, então o investimento também terá de ser maior, para atingir os objetivos”.

Seja como for, com maior ou menor dificuldade, Rochinha assegura que não se vê “a deixar o culturismo”.